segunda-feira, 6 de abril de 2009

Odetta! The Queen.




Trimiliques, tremedeiras e não sei mais o que. Arrepios periodicamente irregulares, mas sem suor algum. Devia ser o frio. Frio? Frio de que? De onde? Amanha mesmo eu compraria um termômetro novinho em folha...Podia ser malária! Podia sim. Mas não era. Malária não deixa ninguém sorrindo. La Cucaracha quando bem cantada nos faz sorrir. Tom Jobim fazendo um grego sambar pelos morros cariocas nos faz sorrir. Poesia alemã e cerveja podem até matar, mas ainda sim constroem sorrisos por onde passam. E Odetta que também faz sorrir, parecia brincar comigo, parecia se divertir ao me ver daquela forma: perturbado até os dentes e sorrindo de orelha a orelha. Ela tinha que parar de catar. Eu precisava desligar a música. Aquilo estava acabando comigo. Mas eu não conseguia! Odetta e sua voz, declamando as canções que inspiraram Bob Dylan, Janis Joplin e Joan Baez colocava nos meus ouvidos e amaravilhava meu cérebro com seu blues-jazz próprio dos anos 60, sem deixar de lado uma quase implícita simplicidade que provinha das experiências folks que viveu em São Francisco.


Havia tempos que algo musical não surtia um efeito tão devastador em mim. Sim, sim, eu já conhecia “The Queen of American folk music” – nomenclatura dada por Martin Luther King Jr. – há alguns anos, mas ela nunca tinha me deixado sem dormir. Odetta que morreu dia 2 de dezembro do ano passado – dia do meu aniversário – conseguiu ser mais mortal que o amor e causar mais calafrios fantasiosamente agradáveis que Robert Johnson em seus dias mais sombrios. Era daquelas que entregava mais que o próprio coração quando cantava. Mesmo a própria vida era pouco para dar de presente à música.


Ela cantou músicas de Bob Dylan já em 1965. Homenageou sua amiga Ella Fitzgerald no álbum To Ella. Foi uma das pioneiras do folk, durante o renascimento comercial do gênero nos anos 50, fazendo uma série de shows acompanhada apenas de “Baby” (um violão feito por ela mesma). Escreveu e interpretou belas canções de Blues, experimentando também arranjos mais complexos quando se juntava a uma banda para tocar jazz. Spirituals songs fizeram parte de seu repertório, envolvendo-se também em movimentos a favor dos direitos civis dos negros. Foi atriz. Foi divorciada – 2 vezes. Foi a primeira “coisa” que levou Bob Dylan a música folk. Foi uma credencial para tornar Janis Joplin querida entre os rapazes. Foi minha maravilhosa insônia por uma noite, em que sua música me consumiu por completo.


Download Odetta - And The Blues

(ww.megaupload.com/?d=77SNQTDZ)

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  1. "Hard, Oh Lord"
  2. "Believe I'll Go"
  3. "Oh, Papa"
  4. "How Long Blues"
  5. "Hogan's Alley"
  6. "Leavin' This Morning"
  7. "Oh, My Babe"
  8. "Yonder Comes the Blues"
  9. "Make Me a Pallet on the Floor"
  10. "Weeping Willow Blues"
  11. "Go Down, Sunshine" - 2:21
  12. "Nobody Knows You When You're Down and Out"


2 comentários:

  1. Põe essa na roda, mano. Pela onda que te deu, parece ser da boa!

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